
O 8 perguntas dessa semana é com o SEXISTALK, duo de Belo Horizonte que vem se despontando como destaque na musica eletrônica Brasileira. Pedro e Gian comprovam nas perguntas abaixo que a sensibilidade e o bom gosto musical do duo também é transferida para a moda, fotografia e até literatura.
1- Quais foram suas principais influências no inicio da carreira e quais são agora?
Pedro: O SEXISTALK começou de forma extremamente descompromissada, depois de uma noite regada de amnésia alcoolica, garotas bêbadas e aditivos variados. Tudo foi calcado em um conceito que valorizava a diversão e a música honesta, feita por gosto e não por status. Haviam influências além da proposta musical, em que o lifestyle e as experiências pessoais complementavam a parte sonora, bem como a proposta literária autores que sempre fui fanático, como Bukowski, Cortázar, Bataille e DeSade ... Musicalmente, MSTRKRFT foi o maior incentivo, não apenas por seguir uma proposta rocker, mesclando elementos de música eletrônica, timbragem orgânica e groove disco, mas por transmitir um conceito lírico "dirty" bem direcionado. Meu background musical sempre foi uma mistura de rock noventista e metal, já o Gian vem da escola do oldschool funk, breaks, hiphop e triphop, e na época, o rotulado "electro-rock" propunha exatamente uma transgressão de valores musicais e conceituais que compunham essa mistura do duo. Além do MSTRKRFT, do finado projeto do JFK (o Death From Above 1979) e de tudo aquilo que formou nossa base musical, ouvíamos muito Chromeo, Digitalism, Justice, SebastiAn, Daft Punk... sempre buscando produzir algo que jamais havíamos feito, no risco mesmo. Com muita tentativa e erro, conseguimos agregar essa essência "safada" à um som pesado e divertido, com muito feeling e sem tanto rótulo. Hoje, posso dizer que projetos como Danger, L.A. Riots, Cut Copy, Soulwax, Van She, Designer Drugs, Hot Pink Delorean, muito me agradam, mas é complicado distinguir algo que sempre gostei, daquilo que vem me acrescentando por agora. A verdade é que a cada dia a coisa fica mais complexa e felizmente pro SEXISTALK, são mais vertentes e mais possibilidades de tornarmos nosso trabalho melhor.
Gian: Odéio falar em influências porque não dá pra falar de tudo mas em relação ao SEXISTALK, com certeza as referências principais no começo foram: Death From Above 1979 e MSTRKRFT (ambos projetos do Jesse F. Keeler AKA JFK) , Chromeo, Justice, Digitalism, Space Cowboy, Daft Punk dentre outros. Nossas influências pré-SEXISTALK com certeza jogam até hoje um papel fundamental, especialmente no estilo de composição e recursos usados. Em relação aos vocais o Tricky diria que é minha influência mais forte, assim como o Trent Reznor (NIN), Bradley Nowell (Sublime) e na hora de compor eu tenho uma tendência muito funky devida a anos e anos de escutar Parliament Funkadelic e derivados. Enfim, não dá pra falar de tudo, é tanta coisa. Posso afirmar que hoje em dia as mesmas bandas que nos levaram a criar nessa linha de som continuam sendo referência, assim como projetos como Designer Drugs, L.A. Riots, Soulwax e outras que o Pedro já mencionou.
2- Quem você acha que vem se destacando na fotografia atualmente?
Pedro: Para mim, a fotografia depende mais da sensibilidade do fotógrafo do que necessariamente de um curso técnico. Com o boom da acessibilidade à equipamentos profissionais, tem muita gente achando que adquirir material é adquirir valor ... portanto, meu gosto pessoal, sempre foi calcado em boas idéias, olhar crítico, uma produção inusitada (sempre que possível), técnica (claro) e obviamente um bom conhecimento do maquinário necessário (nem sempre o mais caro, mas aquele que se adequa melhor à proposta conceitual). David LaChapelle é um exemplo claro disso, misturando tudo que entendo como "qualidade", ao propor situações originais, primar por uma estética pesada e conceitos bem íntimos, coisa própria do artista. O holandês Andy Tan, tem me chamado à atenção com propostas diferentes pra fotografias de tema sexy/editorial bem como Ján Hronský (garotas realmente bonitas e dotes bem valorizados). Já quanto à originalidade, Gary Salter, Ushkov Ivan, Dirk Rees, Sarah-Jane Lynagh e Peter Beste.
Gian: Eu me considero bastante leigo em relação ao mundo da fotografia, mas tenho visto trabalhos do LaChapelle e é sem dúvidas o meu fotógrafo favorito da atualidade. Arte tem que ser inusitada, ousada, e com identidade se não acaba se confundindo entre os outros que optam pelo "play it safe". É só bater o olho que você sabe que a foto é dele.
3- Qual sua musica favorita, aquela para escutar todos os dias?
Pedro: Pergunta complicada! Bom, apesar de curtir ouvir músicas em looping (e atualmente tem cido o novo álbum do Phoenix, "Wolfgang Amadeus Phoenix", hora ou outra eu preciso desfazer do egoísmo musical e dar uma diversificada no som. Pra todas as horas eu citaria Portishead ("Half-Day Closing" ou "Only You"). De todos os tempos talvez "Bizarre Love Triangle" do New Order ou Katatonia "Teargas". Dirigindo, Death From Above 1979 ("Romantic Rights") ou MSTRKRFT ("Thank Me With Your Hands", remix do Panthers). Home alone, eu ficaria com Isis ("Holy Tears"). Num momento de fúria passional, nada melhor que Satyricon ("Fuel For Hatred"). Acompanhado, Nine Inch Nails ("Closer") e dor de cutuvelo eu colocaria a versão de "Cry Me A River" feita pelo Lost Prophets (original, Justin Timberlake). Enfim, deu pra notar que eu não conseguiria me contentar com uma só opção...
Gian: Meu top 3 nesse quesito seria: Geek U.S.A. do Smashing Pumpkins, Roads do Portishead (dor de cotovelo) e Pogo do Digitalism. Essas três eu poderia escutar num loop eterno qualquer dia ou momento da minha vida. Ah, e recentemente viciei na música do Poney Poney que o Xavier do Justice produziu, Cross the Fader. Não consigo parar de escutar ela.
4- Quais são suas marcas preferidas?
Pedro: Vou tentar dividir em partes: Hugo Boss (clássico, toda a linha de produtos), Nike (além de produto, o trabalho de branding), Puma, DC e Suba (Argentina)... no caso de outra variação, a Clinique e Armani (perfumes). Apple pro que diz respeito à tecnologia. Quanto à produção musical, Ableton, ESP e Korg.
Gian: Só pergunta difícil, ein Lucas? Vamos tentar sintetizar. Minha marca favorita tanto de roupa quanto de tênis é Adidas. Me considero um cara bastante clássico. Nike também sempre me agradou. Tudo da Boss e da Puma é genial. De jeans Levi's, Guess e DKNY. De perfumes CK (Eternity, Escape), Davidoff (Cool Water, o clássico). e DKNY também (Be delicious é um dos meus favoritos junto com o Boss clássico do cantilzinho). Há outras marcas de roupa que para mim são "a must" como Ecko, Puma, Rocawear e Lost. De óculos Bvlgari, CK, Arnette, Ray Ban e Oakley. De guitarra Gibson. Tecnologia em geral Apple é campeão. No quesito e-music e tecnologia de áudio em geral Korg, M-Audio, Pioneer, Digidesign e Technics. Enough brands for today, né?
5- Quais são seus tênis favoritos?
Pedro: Nike (em especial Dunk Low Tiffany Diamond, SB Blazer "Made for Skate"), New Balance, Puma (60' Birthday Unlimited High) e Ecko Espy.
Gian: Adidas Classic branco com black stripes é meu tênis favorito de todos os tempos. Hoje em dia gosto muito do Nike Dunk (ed. Especial do Wu Tang), Puma (especialmente da nova coleção do Mihara Yasuhiro) e DC Shoes (LX Collection).
6- Qual sua loja/boutique favorita?
Pedro: Compro bastante pela internet, acho prático e útil e a Blue Collar Distro costuma ter o que procuro, além claro da Collapse (Tipografia). No Brasil gosto da Reverbcity e Nonsense. Fora isso não me preocupo com lojas em específico... no caso de urgência, Zara.
Gian: Geralmente aproveito para comprar minhas roupas nos Estados Unidos. Por lá eu gosto de comprar na Bloomingdales, Macy's, Pacific Sunwear e vai soar meio queimação de filme, mas já comprei muita coisa legal na Hot Topic. Para camisetas o Crazy Dog T-Shirts e T-Shirt Hell. Aqui em Belo Horizonte não tenho uma loja favorita, geralmente tenho que garimpar muito para achar alguma coisa que me agrada.
7- O que você indicaria aos leitores do THBR?
Pedro: T-Shirt Hell, sem dúvidas.
Gian: http://www.crazydogtshirts.com
8- Projetos futuros?
Pedro: Além de conquistar o mundo, abrir meu próprio Scotch Bar e lançar uma linha pessoal de bonecos em miniturares e roupas íntimas femininas? Dar prosseguimento no EP de remixes do SEXISTALK que sairá em breve e claro, nosso segundo EP de músicas autorais. De resto, apetece-me jogar no número da besta e ganhar.
Gian: Bom, quando Pedro falou Scotch Bar ele na verdade usou um eufemismo para falar puteiro (desculpem meu linguajar) e vai ser um projeto em sociedade comigo. Projetos futuros? Coachella, uma das Olsen twins, comprar uma Ferrari e mandar o Xzibit pimpear ela pra mim. Ok, ok, projetos reais. Esses dias vai sair o UglyEdits vol.2 do Database onde a gente está colaborando com um UglyEdit bem inusitado (#pesado). Também tá vindo por aí um EP de remixes feitos pela gente, assim como o tão aguardado (só pela gente) segundo EP oficial. Tocar pelo Mundo inteiro também soa como um ótimo plano a futuro. Quem sabe?