O nosso convidado de hoje, se chama Piti Vieira...editor chefe da DJ Mag no Brasil! A DJ Mag é considerada já há algum tempo, como a mais importante e segura fonte sobre a música eletrônica mundial! Então...nada melhor do que conversarmos à respeito do assunto, com quem realmente entende! Vamos às perguntas:
Piti, nos fale um pouco sobre o seu background! Como você acabou se tornando o Editor da filial brasileira da DJ Mag?
Já trabalhei nos lugares mais diferentes que você possa imaginar. Dei aula de inglês (fiz o senior year nos Estados Unidos e quando voltei fazia cursinho e dava aula), fui trainee na Gessy Lever (fazia faculdade de Comércio Exterior) e comecei estagiando em jornalismo no Caderno 2, do O Estado de S. Paulo (nessa época eu já fazia faculdade de jornalismo e também de história). Depois trabalhei na Agência Folha, da Folha de S.Paulo, num serviço de notícias de economia e política em tempo real chamado Folha News, numa revista de arquitetura e decoração chamada A&D, na Quatro Rodas, na Gula e de lá fui pra Trip, que é o considero meu marco zero. Entrei pra ajudar num fechamento e saí 5 anos depois como subeditor. De lá fui ser editor de uma revista de esportes outdoor chamada Go Outside (além de música eu amo esportes de natureza. Parece incompatível, mas eu sou assim mesmo. Meus prazeres transitam por zonas bem heterogêneas). Na sequência fui ser redator-chefe da Revista da MTV – nesse meio tempo editei a revista do Sirena. Quando a DJ Mag começou, em julho de 2007, o grupo Sirena era o dono da marca aqui no Brasil. Foi assim que acabei como diretor de redação da DJ Mag. Hoje o grupo já não tem mais ligação com a revista, mas eu continuo no comando.
Quais são as suas maiores influências no trabalho? (Quem te inspira?)
Cada vez mais um trilhão de sites e blogs, e cada vez menos revistas.
Se você fosse fazer uma listinha...quem seriam, na sua opinião, os djs mais influentes da cena eletrônica de todos os tempos?
Cinco é impossível. Fiz 10. Mesmo assim falta bastante aí.
Frankie knuckles - DJ e produtor, é o padrinho da house music. Ele tem uma representatividade e importância fundamentais na história deste estilo.
Pete Tong - como DJ ele nem é tão bom assim, mas seu programa na Radio 1 lançou muita gente boa. Ele é a voz da dance music, gostem ou não.
Afrika Bambaataa - Sampleou Kraftwerk em "Planet Rock" em que também foi o primeiro a usar bateria eletrônica (uma surrada Roland 808). Inaugurava ali o electrofunk, subgênero do rap que filtrou diversos ramos da atual música eletrônica, como o big beat, o electro e o techno.
Uwe Schmidt - Sempre vestido de terno como um dândi (não se trata de uma performance, ele anda assim o tempo todo), o alemão, radicado em Santiago do Chile, pode não ser muito conhecido mas seus projetos como Lassigue Bendthaus e Atom Heart já escreveram seu nome como um ícone da música eletrônica.
Liam Howlett - menino-prodígio do eletrônico, é o produtor e cérebro do Prodigy. Precisa falar mais?
Tom Rowlands e Ed Simons (chemical brothers) - house/techno/funk/breakbeat. Não duvide, o Chemical Brothers é essencialmente um grupo de dance music eletrônica.
Derrick May - é o "pai do techno" É inegável a importância dele para a música eletrônica.
David e Stephen Dewaele - 2 Many DJs, Soulwax, RadioSoulwax.. Eles explodiram em 2002 quando lançaram de maneira oficial o As Heard On Radio Soulwax Pt. 2, que vendeu dezenas de milhares de cópias. De lá para os principais festivais do mundo foi um pulo, abrindo a porteira mundial da febre de bootlegs e mash-ups pós-fenômeno MP3.
James Murphy - injetou uma pegada de rock e pos-punk na música eletrônica com o LCD Soundsystem. Será ele o salvador?
Mad Mike - um dos fundadores do Undreground Resistance, não se deixa fotografar ou entrevistar. Prefere que sua imagem seja ligada somente à música que faz, techno de raiz.
A cena eletrônica brasileira vem crescendo à cada dia, temos o N.A.S.A bombando lá fora, e uma nova geração de djs que realmente arrebentam! Você crê que num breve futuro, o Brasil se tornará referência na cena eletrônica?
Já somos um pouco, mas ainda falta muito pra chegar lá.
Parece ser uma pergunta óbvia..mas não podemos deixar de ter a sua opinião....Qual a melhor (ou melhores) baladas que você já foi?
Sem dúvida o Glastonbury desse ano. Mas posso acrescentar aí o Tim Festival de 2006, Villalobos no D-Edge, Garnier na Love, James Murphy na festa de aniversário do Vegas, Carl Cox na Space em Ibiza, Soulwax no casamento da Layma e do Iggor, uma festa que fui em Ibiza do dono do Cirque du Soleil, putz, já fui em tanta balada.
Acreditamos que você curte viajar! Você teria uma cidade favorita? Por que?
Fora São Paulo, Barcelona. Pela arquitetura, pela noite e pelas guapas. Mas não conheço Toquio nem Berlim, então...
Sabemos que a moda e a música caminham de mãos dadas. Quais são as suas marcas preferidas?
Tokidoki, Osklen, NorthFace, Nike, Havaianas, Bape, G-Star, Herchcovitch, Surface to Air, Vans, Lanvin, Puma, Mishka...
Agora...a pergunta que sempre fecha o segmento! Nos fale sobre quais são os seus projetos presentes e futuros?
No momento trabalhar muito pra daqui um ano fazer um MA em Digital Media: Technology & Cultural Form na Goldsmiths, em Londres. E finalmente comecei a escrever um livro que venho postergando faz um tempo. Tenho também meu blog, mas ele pode assustar um pouco quem não me conhece direito, então melhor deixar no anonimato.
Piti, nós do THBR queremos te agradecer por nos ceder a entrevista! Rock on! God Bless, Lucas Penido.